PARAPRA Pensar: educação e arte na web

Com 14 anos de existência e mais de 1 bilhão de usuários, o YouTube é a plataforma para vídeos mais utilizada da internet. No YouTube, é possível encontrar praticamente todo tipo de conteúdo: videoclipes, fofocas e teorias estão no topo da audiência. Nos últimos anos, o YouTube se mostrou também uma ferramenta poderosa de influência no debate político.

Além disso, um novo estudo chegou à conclusão de que o YouTube se tornou um lugar onde se promove a educação. Enquanto a plataforma passa desapercebida por pais e professores, os vídeos tem desempenhado um papel fundamental no aprendizado da geração atual.

Na última quarta-feira, 26 de junho de 2019, estreou um novo canal educacional no YouTube. O canal PARAPRA Pensar, criado e apresentado pela professora Janaína Corteze, nasceu com objetivo de lidar com as consequências pedagógicas da educação virtual. Para entender melhor este cenário, o Jornal 140 conversou com ela.

Janaína Corteze nasceu e cresceu em Jaú, interior de São Paulo. Apaixonada por artes desde a infância, se formou em artes plásticas na Unesp (Campus Bauru), pós-graduada em políticas públicas educacionais pelo IA (Instituto de Artes da Unesp de São Paulo) e atualmente leciona história da arte e artes plásticas no SESI de Jaú.

Há 10 anos em um ambiente de ensino onde a arte utiliza expressão sensorial e criativa, Janaína jamais imaginou que utilizaria plataformas digitais para criar conteúdo e compartilhar conhecimento:

Nunca me vi na internet falando sobre algo, a aula sempre foi algo tão íntimo. Eu sempre acreditei no olhar da educação de troca. Janaína Corteze

Durante o período preparatório para o Enem deste ano, Janaína quebrou seu paradigma. De maneira informal, criou vídeos e áudios com algumas revisões para ajudar seus alunos na prova. O feedback foi surpreendente e Janaína começou a ouvir um pouco mais e prestar atenção nos interesses e fontes de pesquisa utilizadas por seus alunos.

Inquieta e otimista como toda sagitariana, Janaína criou o nome, identidade visual, redes sociais e o conteúdo para três episódios em apenas uma semana. Os dois primeiros já estão no ar: A arma mais famo$a da história da arte e Arte & Consumo: Cultura do efêmero.

Entrevista com Janaína Corteze no Vitrolê Cultural, em Jaú/SP (Foto: Bruno Creste/Jornal140)

Nesta semana, nós realizamos uma entrevista exclusiva com a professora Janaína Corteze. Veja as respostas sobre o novo canal e assista ao vídeo completo no final do artigo.

Qual o objetivo do canal?

O canal foi idealizado com o objetivo de compartilhar ideias, trocar de conhecimento e despertar novos olhares com pensamento criativo, dinâmico e questionador. O canal promete abranger temas variados do mundo da arte, cultura, historia, desdobramentos e realizações humanas, sempre trazendo um recorte da atualidade.

Qual é o perfil do seu público? 

A principio eu pensei que chamaria atenção dos estudantes, após o lançamento do primeiro vídeo, eu percebi que o público é muito variado, praticamente de todas as idades. Foi interessante, as pessoas são muito curiosas e ao mesmo tempo muito fechadas ao novo, alguns, com constrangimento em fazer perguntas.

O que eles pediram para você apresentar?

A arte é um conhecimento muito amplo e abrangente. Eu recebi sugestões de pauta para arquitetura, fotografia, cinema e sexualidade na arte. Para os temas da atualidade: cultura, sociedade, religião, psicologia do consumo e uso de drogas.

O digital permite uma interação muito ampla e rápida com os “alunos”. No entanto o tempo do professor, de revisão de respostas e retorno, tem de seguir um processo mais lento. Como adequar isso?

Não é imediato, mas não chamaria de lento. Além do YouTube, os alunos usam outras ferramentas que facilitam a comunicação. Recebo muitas mensagens de alunos via Instagram, Facebook, o que facilita uma resposta mais rápida e a troca de ideias. A questão é a gente se adequar às novas tecnologias e usar da forma mais eficiente dentro do ensino.

Você está muito focalizada em vídeo. E textos, infográficos etc, não ajudam a didática?

Claro, eu acho que são peças fundamentais. Eu particularmente leio muito, busco minhas informações por meio de livros. Essa base da construção do conhecimento humano é mais que necessária. Foram textos e estudos em que me aprofunde que fizeram minha formação. Ainda considero fundamentais.

Qual é a frequência de postagem de vídeo? Você chamou uma equipe para ajuda-la?

No mínimo, um por semana. Eu tenho meu trabalho, as aulas consomem muito, logo dificulta postar com tanta frequência. Mas minha ideia futura são dois por semana. E não, não tenho uma equipe. Meu namorado é fotógrafo, usamos o equipamento dele e fui montando e fazendo como pude. Mas tenho a intenção de melhorar as questões técnicas, sim.

Para seguir a Janaína Corteze nas redes sociais: Facebook: @pp.pensar, Instagram: @pp.pensar e YouTube: @PARAPRA Pensar. Para assistir a entrevista completa para o Diálogos 140, clique no play abaixo.

Produção: Bruno Creste, colaborador do Jornal 140.

Este artigo foi visto primeiramente no Jornal 140.

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